Calibração de equipamentos médico-hospitalares: muito além do “ajuste fino” 

No ambiente de saúde, cada milissegundo e décimo de milímetro pode ser crucial para uma decisão clínica. Nesse contexto, a calibração de equipamentos deixa de ser apenas um requisito burocrático e se torna uma estratégia essencial para a segurança do paciente. 

Afinal, como diz o ditado, “medir é saber. Calibrar é garantir que você sabe certo.” 

Por que a calibração importa? 

A calibração não é só um “ajuste fino”; é uma verificação rigorosa para garantir que os equipamentos operem dentro dos padrões de precisão e segurança. 

1. Segurança do paciente: um erro de 3% na vazão de uma bomba de infusão, por exemplo, pode causar uma superdosagem ou subdosagem fatal. Monitores imprecisos podem mascarar sinais vitais, levando a diagnósticos incorretos e a atrasos no tratamento. 

2. Custos Ocultos: equipamentos imprecisos geram custos invisíveis. Eles podem aumentar o tempo de internação, exigir a repetição de exames e levar ao desperdício de insumos. De acordo com o especialista Binseng Wang, até 15% do orçamento de manutenção pode ser perdido devido a falhas não detectadas. 

3. Conformidade regulatória: as acreditações como JCI e ONA, além de órgãos fiscalizadores como a ANVISA, exigem certificados de calibração válidos. A ausência desses laudos pode resultar em não conformidades, multas e, em casos extremos, a interdição do serviço.

Normas e Resoluções que Sustentam o Processo 

A calibração e a gestão de equipamentos são pautadas por uma série de normas e regulamentos que assegurem a qualidade e a segurança. As principais são: 

● RDC 509/2021: exige a implementação de um Plano de Gerenciamento de Tecnologias em Saúde (PGTS). 

● ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017: estabelece a competência técnica para laboratórios de calibração, garantindo a confiabilidade dos certificados. ● ABNT NBR ISO 15493:2011: orienta a gestão de equipamentos em serviços de saúde. 

● ABNT NBR IEC 60601: define diretrizes para testes de segurança elétrica, que devem ser realizados periodicamente. 

● RDC 63/2011: Aborda as boas práticas de funcionamento para os serviços de saúde. 

● ABNT NBR IEC 62353:2019: estabelece os ensaios de segurança elétrica para proteção de pacientes e profissionais. 

Dicas para uma gestão eficiente 

Com base em nossa experiência de campo na EngeHosp, estas dicas ajudam a otimizar a calibração na sua instituição: 

● Junte Calibração e Manutenção: realizar a calibração e a manutenção preventiva na mesma janela de tempo reduz o número de paradas dos equipamentos e, consequentemente, os custos. 

● Priorize as Áreas Críticas: foco em setores com maior risco assistencial, como UTI, Centro Cirúrgico e Neonatologia. 

● Considere a Rentabilidade: equipamentos de maior rentabilidade, como os de hemodinâmica, imagem de alta complexidade e oncologia ambulatorial, devem ser priorizados para evitar perdas financeiras significativas em caso de inatividade. 

● Defina a Missão Crítica: identifique os equipamentos cuja parada pode paralisar o fluxo clínico ou afetar os resultados financeiros, como ventiladores, mesas cirúrgicas e tomógrafos, e dê a eles a máxima prioridade. 

A calibração vai muito além da simples conformidade. Ela é um componente vital da segurança do paciente e da sustentabilidade financeira de uma instituição de saúde. 

Como sua instituição gerencia a integração entre calibração, manutenção e análise de risco dentro do PGTS?